'Ay
Caramba!' Yo
me llamo
Filipe Balbi,
um 'cabrón' brasileiro atualmente vivendo na Cidade do
México, numa experiência de
trabalho (representando no México a AIESEC Internacional).
Esse é meu blog, onde conto todas minhas
impressões, aventuras e desventuras na terra dos Aztecas e dos Maias,
da Tequila
e dos mariachis!
Vixe, só falei dos clichês, né? Mas o
México é muito mais que isso... Leia o blog e
descubra o México (através de meus olhos e de
minhas experiências neste país encantador)
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e
por Jota
Schuler, a
mente criativa e
perversa por trás do template deste blog. Valeu, Jota. Sua
tequila tá garantida!
Terça-feira, Fevereiro 27, 2007
Audiência da 'Feia' supera Oscar
Bem, como eu disse no post anterior, a maior emissora do México programou uma noite especial para concorrer com a emissora que transmitiria o Oscar.
E parece que a operação foi extremamente bem sucedida.
Três horas de último capítulo da telenovela mais popular do México proporcionaram a TELEVISA mais de 60% da audiência (mesmo índice de último capítulo de novela no Brasil), dando uma lavada na audiência na disputa com a concorrente.
Bem, ao menos a TV AZTECA exibiu a cerimônia em versão integral (com direito até a cobertura no 'red carpet', sem cortes para exibir BBBs :P
Ay
caramba!
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9:17 PM
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Segunda-feira, Fevereiro 26, 2007
México no Oscar 2007
Ontem foi realizada a cerimônia do Oscar 2007. Para mim, uma festa chata (como sempre), que, porém, teve neste ano um atrativo especial.
Confirmando a boa fase que atravessa sua indústria cinematográfica (e também o que eu já havia expressado aqui há algum tempo), o México obteve um expressivo número de indicações para a premiação, em um total de 16 nominações para os filmes de Alejandro González Iñárritu (Babel), Guillermo del Toro (O labirinto de Fauno) e Alfonso Cuarón (Filhos da Esperança).
O país estava vivendo um total clima 'Copa do Mundo'. Os principais jornais anunciaram com estardalhaço as indicações e a publicidade em torno da exibição da cerimônia na TV foi grande.
E a expectativa dos mexicanos era tão grande que a Televisa (principal emissora de TV do México; a que fez Carrossel, todas as Marias da Thalia e faz hoje a novela Rebeldes) programou o último capítulo de sua telenovela de maior audiência justamente para o domingo, para bater de frente com a cerimônia de premiação exibida pela emissora concorrente (TV Azteca).
Parênteses:e, obviamente, os mexicanos não conseguiam se decidir entre um programa e outro. Na minha casa, foi um zapping danado... A toda hora mudavam o canal, e nem esperavam o intervalo comercial para isso... E ninguém via nada, nem de um canal, nem de outro! :P
Infelizmente, o México não levou tudo... Babel concorria a muitos prêmios, mas levou apenas um (se bem que o filme era fraco...). Filhos da Esperança saiu de mãos abanando. A salvação foi Labirinto de Fauno, que ganhou 3 prêmios (ainda que tenha perdido o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro).
Porém, nada tira o valor das produções mexicanas, que se mostra uma indústria promissora e de alto nível, que seguramente vai produzir muita coisa boa nos próximos anos.
Na foto-montagem, da esquerda para a direita: Alejandro González Iñárritu (diretor de fraco Babel, mas também do ótimo 21 gramas); Adriana Barraza (atriz em Babel e também em Amores Brutos); Guillermo Arriaga (roteirista de Amores Brutos, 21 gramas e Babel); Guillermo del Toro (diretor de Labirinto de Fauno, um dos melhores filmes do ano); Alfonso Cuarón (diretor de Filhos da Esperança, e também de E sua mãe também).
Ay
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8:26 PM
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Quarta-feira, Fevereiro 21, 2007
Happy New Year!!!
Como no Brasil as coisas só começam mesmo é depois do carnaval (ou melhor, a partir do meio-dia da quarta-feira de cinzas), desejo a todos os brasileiros (natos e de coração) um (novo) FELIZ ANO NOVO!!!
Veremos... Na segunda estou de volta, e conto tudo para vocês. Feliz Carnaval! Que aproveitem muito aquele que, até agora, é para mim o maior, melhor e mais alegre Carnaval do mundo! (o brasileiro, claro)
Ay
caramba!
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8:51 PM
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Quinta-feira, Fevereiro 15, 2007
Centro histórico: Templo Mayor
TEMPLO MAYOR Zócalo foi, em tempos pré-hispânicos, um grande centro cerimonial para os Aztecas Tenochtitlán. Conhecido como Teocalli, este centro foi construído em algum momento entre os séculos 14 e 15. No entanto, com a dominação espanhola, o local foi parcialmente destruído e completamente aterrado, utilizando-se, inclusive, pedras das ruínas de Teocalli e de outras construções aztecas. E até a metade do século 20, Zócalo era mais um amontoado de barracas tipo de camelô e menos uma praça aberta, como hoje. E tudo isso permaneceu aterrado até 1978, quando trabalhadores da companhia de energia da Cidade do México, escavando a área para reparação da rede elétrica, encontraram por acaso um enorme disco de pedra, pesando 8 toneladas, que representava a Deusa azteca Coyolzauhqui (vixe…). Foi então que tomou-se a decisão de demolir dezenas de prédios coloniais antigos e escavar a área, resultando na descoberta do enorme e belíssimo templo azteca, adormecido por centenas de anos abaixo de muitos metros de construção. Diz-se que o Templo Mayor foi construído exatamente onde os aztecas viram a imagem que os guiou por todo um período de peregrinação em busca do lugar onde deveriam se assentar. Eles identificariam esse lugar – que pensavam ser nada menos que o centro do universo – através de uma imagem (uma águia, com uma serpente presa em suas garras, parada sobre um cactus) que foi visualizada em um sonho por um dos guerreiros líderes dos aztecas – e, diga-se se passagem, essa imagem é hoje um dos maiores símbolos nacionais mexicanos. No sítio, que abriga um ótimo museu, é possível ver as múltiplas camadas de construção. Assim como em Teotihuacáne demais construções sagradas em Tenochtitlán, a construção do Templo Mayor foi iniciada em 1375 e expandida inúmeras vezes, aumentando-se a base para crescer verticalmente. E, claro, cara ‘reforma na casa’ era acomanhada pelo sacrifício de guerreiros capturados. A maior (e penúltima) reforma foi em 1487. Estima-se que mais de 20.000 vítimas foram sacrificadas para comemorar o fato, numa cerimônia que durou quatro dias inteiros!!! Quando os europeus chegaram, haviam duas grandes pirâmides de mais de 40 metros – que, obviamente, foram destruídas. Hoje, o que se vê são ruínas das diferentes fases da construção do templo (e não sobrou nada da última fase de construção do templo, a qual foi vista pelos conquistadores espanhóis quando chegaram por aqui). As ruínas foram transformadas em um museu, onde se podem ver peças para sacrifícios feitos no templo, além de ter uma boa perspectiva geral da civilização azteca, incluindo seu sistema de agricultura por chinampas, seu sistema de governo e comércio, suas crenças, guerras e sacrifícios. Site oficial do Museu Templo Mayor: www.conaculta.gob.mx/templomayor
Sítio arqueológico do Museu Templo Mayor. No meio da cidade, entre muitos outros prédios históricos.
Ruínas do sítio, e a enorme pedra com representação da Deusa Coyolzauhqui, peça que foi encontrada em escavações e que motivou a criação do Museu.
Ay
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Post escrito (en perfecto portuñol) por Filipe Donadello Balbi às
9:40 PM
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Centro histórico: Palácio de Bellas Artes e Torre Latino Americana
PALÁCIO DE BELLAS ARTES
Palácio de Bellas Artes (vista aérea, da Torre Latino Americana)
Edifício cuja história remete ao período do Porfiriato, quando surgiu entre a alta sociedade mexicana uma tendência de imitar o estilo e costumes europeus na vida cotidiana e nos modelos arquitetônicos. Disso resultou a vontade de construir um novo Teatro Nacional. Assim, demoliu-se o que existia anteriormente para construir o que hoje é o belíssimo Palácio de Bellas Artes. Projeto de um arquiteto italiano que incorporou ao projeto os melhores elementos dos melhores teatros do mundo naquela época, a construção do edifício duraria quatro anos, porém tomou exatos 30 anos. Mas valeu a pena, penso eu. O prédio é famoso por sua bela fachada, toda em mármore branco, por sua cúpula, em cores e por uma impressionante cortina de mosaicos de cristal, feita pela Tiffany de Nova York (a famosa joalheria), com mais de um milhão de peças de cristal. Hoje em dia, o Palácio de Bellas Artes é considerado um dos maiores e mais importantes teatros do mundo, e desde sua fundação tem sido um dos centros culturais mais importantes do México.
TORRE LATINO-AMERICANA A Torre Latinoamericana é um dos edifícios mais emblemáticos do México, por sua localização central, sua altura (quase 200 metros, em 44 andares) e sua história. Considerada durante vários anos o edifício mais alto do México e da América Latina, a Torre é um motivo de orgulho para os ‘chilangos’, uma vez que durante sua construção rompeu vários recordes em engenharia, utilizando tecnologia mexicana, e também por ter resistido, sem sofrer nenhum dano, aos terremotos de 1957 e de 1985 (o prédio se encontra em uma área sísmica de alta atividade; além disso, o solo do local tem uma composição lodosa, uma vez que ali existia o Lago Texcoco).
A Torre Latino Americana. Na imagem da direita, uma simulação de onde a Torre estaria localizada no Lago Texcoco (a construção central é a cidade Azteca de Tenochtitlán, destruída pelos espanhóis, e onde hoje está localizada a praça Zócalo)
A destruição causada por terremotos, e a Torre Latino Americana, impune à destruição.
No alto dos seus 44 andares, está um mirante, de onde se pode ter uma vista muito legal da Cidade, em todas as direções. E, dali, fica nítido como a Cidade do México é uma cidade plana: diferente de São Paulo, onde há uma grande concentração de prédios muito altos, aqui eles são exceções, predominando uma ‘paisagem de concreto’ mais plana, o que permite ver toda a cidade e também os montes que a cercam (isso, claro, quando a poluição permitir enxergar a mais de 10 metros de distância).
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Post escrito (en perfecto portuñol) por Filipe Donadello Balbi às
8:17 PM
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Centro histórico: Palácio Nacional e Catedral Metropolitana
PALÁCIO NACIONAL
O Palácio Nacional é um prédio imponente, que abriga os gabinetes presidenciais do México, a Secretaria da Fazenda e impressionantes murais feitos (por quem mais?) Diego Rivera (o marido da Frida). Em princípio, o local abrigava a casa Montezuma, o lendário imperador asteca, que foi completamente destruída pelo conquistador Hernán Cortés em 1521 e reconstruída como uma enorme ‘arena’, onde os visitantes poderiam se diverter com ‘toradas’. Porém, mais tarde, a Coroa Espanhola comprou o local para construir a casa do Vice-Rei da Nova Espanha. Demolido e reconstruído em 1692, o prédio permanece até hoje tal qual foi construído naquela época. O prédio fica cheio, cheio, cheio de turistas que vão ali para ver os murais do artista mexicano Diego Rivera. Trata-se de uma série de murais, que tem como destaque um que fica nas escadarias que levam ao segundo andar, onde estão todos os outros. Nesse mural principal, Rivera condensa a história do México separando os vilões (colonizadores e capitalistas) dos heróis (revolucionários e povos pré-colombianos). Os outros murais, espalhados pelos corredores, retratam cenas indígenas, como a vida nos mercados, a produção de pulque, bebida fermentada de maguey, a planta que dá origem à tequila, e mulheres tecendo.
As escadarias e o painel principal.
O prédio visto por dentro, e um dos outros painéis.
CATEDRAL METROPOLITANA
Catedral Metropolitana da Cidade do México (na praça Zócalo).
A Catedral Metropolitana da praça Zócalo é conhecida por ser a maior da América Latina – sua construção começou em 1573 e tomou mais de dois séculos para ser finalizada.
O templo, erguido em semelhança aos de Toledo e Granada, foi construído em estilo barroco, com uma basílica em três naves dedicada à Virgem Maria, cuja ascensão é representada num enorme painel bem no centro da igreja. Porém, além de ser enorme e ter altares barrocos de confundir os olhos, a Catedral impressiona por estar totalmente torta. Como foi construído sobre as ruínas dos templos Aztecas – que, por sua vez, foram erguidos sobre o lago Texcoco –, o prédio tem afundado em algumas partes desde sua construção, resultado em fissuras e rachaduras na estrutura. E ao entrar no prédio, é possível observar, em um enorme corredor, que as colunas pendem para um lado. Dá uma agonia ver as pilastras inclinadas, ainda que seja uma coisa não muito rara de ser ver no México (cuja história foi marcada por grandes terremotos no século 20, que deixaram muitas construções – principalmente os prédios históricos – em uma posição que não é exatamente a vertical :P)
Uma igreja próxima a Zócalo, impressionantemente inclinada.
Rachaduras e remendos no teto e paredes da construção.
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Post escrito (en perfecto portuñol) por Filipe Donadello Balbi às
5:49 PM
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Zócalo – onde tudo começou
O melhor lugar para começar a conhecer a Cidade do México é exatamente o lugar onde tudo isso começou. O Centro Histórico da cidade tem como marco central a principal praça da cidade, a Plaza Zócalo, e se estende por muitas quadras, em todas as direções.
Zócalo: a praça vista da Torre Latino Americana.
Declarado patrimônio mundial da humanidade pela Unesco, a área apresenta impressionantes ruínas de sítios aztecas e também estruturas coloniais e pre-revolucionárias, um legado de incomparável riqueza e importância que a cidade teve um dia. O coração da Cidade é, de fato, a ‘Plaza de la Constituición’, também conhecida como ‘Zócalo’, que significa ‘centro, base’ em algum idioma que não sei qual :P. Está tudo ali: um templo asteca, uma catedral da Nova Espanha, murais de Diego Rivera, prédios históricos, muitas pessoas e milhares de coisas acontecendo ao mesmo tempo. (Detalhe curioso: o nome Zócalo, a princípio usado apenas para essa praça específica na Ciudad de México, passou a ser adotado informalmente por muitas outras cidades mexicanas para designar suas praças principais. Não importa aonde; em qualquer lugar que você for no México, há uma praça chamada Zócalo – e pode apostar que é ponto de referência na cidade). Em torno de Zócalo surgiu e cresceu a Cidade, sendo que as principais construções estão na área do Centro Histórico. Porém, há alguns pontos/‘sights’ que se destacam aos demais. Os próximos posts, da série “Ciudad de México: Centro Histórico”, vão tratar sobre esses locais.
Um dia tranquilo no Centro Histórico da Cidade do México.
Uma apresentação folclórica em Zócalo. E eu fazendo carão para a foto, dando close de Azteca :P
Ay
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Post escrito (en perfecto portuñol) por Filipe Donadello Balbi às
5:39 PM
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Sexta-feira, Fevereiro 02, 2007
"Jesus Camp" - uma reflexão sobre os rumos de um país
Ontem eu vi um filme que me impressionou muito. O filme em questão chama-se “Jesus Camp” (‘Acampamento de Jesus’, em inglês), um documentário com uma perspectiva consistente e muito bem apresentada do crescente e ultra- conservador movimento cristão- evangélico.
O filme acompanha um grupo de crianças que vão para o acampamento de verão “Kids on fire” (‘Crianças em chamas’), comandado pela pastora Becky Fischer, no qual ensina centenas de crianças a se entregarem para Jesus. Ou, nas palavras de uma das crianças presentes no acampamento, “nos treinam para ser parte do exército de Deus”, tudo com o declarado objetivo de 'reconquistar a América em nome de Cristo'.
Em uma das várias cenas chocantes do filme, um pastor sobe ao palco e pergunta a crianças de 6 a 11 anos se estão prontos para “dar sua vida a Jesus”. Diz que os inimigos de Deus retiraram o estudo religioso das escolas públicas e querem evitar o estudo da teoria do ‘desenho inteligente’ em favor do ensino de ‘mentiras’ como a teoria da evolução de Darwin’. (“Nós descendemos de um ser viscoso? Argh! Argh! Não acredito nisso”).
E a coisa se torna mais assustadora quando, em uma determinada cena, fica explicito que a negação nao se restringe apenas ao Evolucionismo – ela se extende a outros pontos de controvérsia científica, chegando a questionar até mesma a própria ciência!
Observe o diálogo entre uma mãe e seu filho, a quem ela própria educa, com aulas em casa (ele não frequenta a escola pública, uma vez sua mãe não quer que pessoas não cristãs eduquem seu filho).
- “Algo frequente entre os políticos estados-unidenses é enfatizar que os verões nos EUA estão cada vez mais quentes nos últimos anos. Como resultado, o aquecimento global deve ser algo real”. O que há de errado nesta frase? - Que o aumento climático foi de somente 0,6 graus. - Ah! Sim, e não parecer ser um grande problema, não? - Não, não creio que chegue a nos prejudicar. - Sim. Mas é que o aquecimento global é um grande tema político. E isso é o que de fato, vocês devem entender. - A evolução também é um tema polêmico? - Hum, não muito. - E o criacionismo? - Hum… esse, sim, está se tornando um ponto polêmico, agora. E o que você deve fazer se vai a uma escola onde o professor diz que o criacionismo é uma coisa estúpida e que você é estúpido se acreditar nisso? - Nao me importaria. - Sim. Veja o criacionismo e vai perceber que é a única resposta possível a todas as perguntas. Você entendeu bem a parte que diz que a ciência não prova nada? É tão mais interessante quando se vê dessa forma! - Sim, verdade. Por isso que eu acredito que Galileu tomou a decisão correta ao deixar a ciência por Jesus.
É impressionante como, apesar de os Estados Unidos serem, em teoria, um Estado laico, a influência que a religião tem sobre a política é assustadoramente forte. E os temas que polarizam os debates entre republicanos e democratas parecem ser os mesmos que separam “os que amam Jesus do que não amam” (de acordo com a classificação feita pela mãe de cima).
E o alinhamento entre o pensamento do partido republicano e do grupo evangélico fica totalmente explícito quando, numa das atividades do acampamento, uma das pregadoras traz uma imagem em papel cartão, em tamanho real, do presidente Bush, e diz às crianças que orem pelo presidente porque “ele trouxe credibilidade à fé cristã, falando abertamente sobre suas crenças.”
Tudo é muito impactante e dá medo… É um movimento com o apoio dos mais altos níveis da classe economicamente dominante, formado ao longo de décadas, e que tem a determinação e força (econômica e física, dada a quantidade de adeptos) para alcançar sua meta de converter os EUA em um Estado Cristão.
É claro o dano que os fundamentalistas cristãos causam às crianças – e não me refiro apenas à proibição de dançar por simples prazer ou de ler Harry Potter (afinal, bruxos são inimigos de Deus, e se Harry Potter tivesse aparecido na Bíblia, teria sido condenado à morte!). Pior que isso, é o despertar nas crianças de pensamentos violentos e fundamentalistas, em nada diferentes do que a nação cristã-americana, representada por seu presidente belicista, tanto repudia nos fundamentalistas islâmicos.
A pastora Becky comenta, em certo ponto, que quer nos jovens do acampamento o mesmo nível de frenesí religioso como o que existe nas escolas que treinam os jovens fundamentalistas islâmicos que cometem ataques suicídas.
“Não me surpreende que, com este tipo de treinamento intenso e disciplina, esses jovens estejam realmente prontos para se matarem pela causa do Islã. Eu quero ver jovens comprometidos com Jesus Cristo como os jovens comprometidos com o Islã. Eu quero vê-los entregar suas vidas ao Evangelho de forma tão radical como acontece na Palestina, Paquistão e todos esses lugares, até porque, você sabe… Desculpe-me, mas nós temos a verdade! As crianças nesses países estão prontas para lutar e empunhar metralhadoras. E nós temos que fazer o mesmo, temos que nos erguer e recuperar nossa Nação para Cristo!”
Parece que o civilizado e racional Ocidente não perdeu muito tempo para criar suas “madrassas”…