filipe balbi blog

El perfil del Mariachi


'Ay Caramba!'
Yo me llamo Filipe Balbi, um 'cabrón' brasileiro atualmente vivendo na Cidade do México, numa experiência de trabalho (representando no México a AIESEC Internacional). Esse é meu blog, onde conto todas minhas impressões, aventuras e desventuras na terra dos Aztecas e dos Maias, da Tequila e dos mariachis!  

Vixe, só falei dos clichês, né? Mas o México é muito mais que isso... Leia o blog e descubra o México (através de meus olhos e de minhas experiências neste país encantador)

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Sábado, Março 17, 2007

Voladores de Papantla

Hoje, quando alguém menciona o povoado de Papantla (em Veracruz), a primeira imagen que vem à minha é a dos ‘voladores’, já que esta dança, que é um verdadeiro atentado à segurança pessoal e à lei da gravidade, feita com intenção de saudar ao Rei Sol e pedir por chuvas, transcendeu o tempo e fronteiras e hoje é um dos maiores marcos da cultura mexicana.

Em suas origens, esta tradição executada por indígenas Totonacas, era conhecida como “kos'niin” (ou “vôo dos mortos”) e estava relacionada ao culto de deuses da fertilidade, como Xipe Totec e Tlazolteotl.

Os ‘Voladores de Papantla’ realizam um ritual que representa uma dança para o Criador, em que atuam 5 pessoas: 4 voladores e um sacerdote, que se veste em vermelho e branco representando o sol.

Os 5 estão sobre um mastro de 25 metros de altura, que tem em sua ponta um tambor e um marco giratório que também serve para facilitar a dança do sacerdote. O mastro representa a conexão entre a terra e os céus, entre o infra-mundo e o mundo superior. No ponto em que se comunicam os mundos (onde se crava o poste), colocam-se oferendas como tamales, sete frangos (ou um perú vivo) e aguardente.

(Nota pessoal: quando vi os ‘voladores’ pela primeira vez, pensei que as oferendas, que estavam ao lado do mastro, eram compras que os ‘voladores’ tinham feito no supermercado a caminho do trabalho e deixaram ali do lado… hahaha… pobre turista desinformado).

Preso ao poste estão 4 cordas que representam o cordão umbilical. Os 4 voladores sobem, sentam-se no marco giratório e se amarram pela cintura. Depois, sobe o sacerdote, que se coloca sobre o tambor, para dançar e tocar flauta, e ao bailar sobre o tambor, suas pisadas são levadas até a terra e o som da flauta se vai em direção ao céu.

Depois de dançar e tocar para todas as direções (norte, sul, leste e oeste, para saudar toda a terra), o sacerdote se senta no tambor e os 4 ‘voladores’ se deixam cair de costas no vazio, presos apenas pela corda em suas cinturas. Seus pesos fazem com que o todo o marco (e também o tambor, que está sobre o marco) gire em torno do mastro. Os quatro ‘voladores’ caem lentamente em círculos, desenrolando completamente a corda em exatas 13 voltas em torno do mastro, até que toquem a terra.







A rotação dos aparatos simboliza o movimento dos astros, em especial o do Sol. E também há uma forte significação nos números correspodentes a tradição. 4x13=52. 4 são os voladores, que dão 13 voltas, que correspondem aos 13 meses do calendario maia, totalizando 52, que simboliza os 52 anos do ‘século’/ ciclo cósmico pré-hispânico, quando há um novo nascer e a vida volta a florecer. 52 também representa Vênus, a estrela da manhã, e sua influência sobre a terra, e também o céu no calendário Azteca, que é um marco na cultura deste povo que tinha profundo conhecimento sobre Astronomia.

Alguns desses elementos do ritual foram introduzidos depois da dominação Azteca aos Totonacas, tal como a música como oferenda e a dança de quatro participantes que voavam de cabeça para baixo, com os braços abertos, disfarçados de aves associadas ao Sol: guacamaya, águia, quetzal e calandria.

Não há dúvidas que de esta é uma das manifestações culturais mais significativas do país e o mais interessante é que, hoje em dia, os ‘voladores’ não apenas mantêm viva a tradição com singular entrega e impressionante demonstração de fé e coragem, como também sentem um grande orgulho por serem ‘herdeiros’ dessa tradição que é não apenas um ritual mágico, cheio de misticismo e cores, como também uma cerimônia religiosa de respeito e equilibrio com a natureza, e um sinal de respeito às tradições que marcaram a história de todo o país.

Fotos dos 'voladores' estão disponíveis no álbum (clique aqui).

Ou, se quiser ver um vídeo da apresentação dos voladores, que encontrei no YouTube (não fui eu que filmei, mas até que está legal... hehehe), clique aqui.

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