
No último domingo vivi minha experiência mais intensa aqui no México até o presente momento: fui assaltado!
E não foi um assalto qualquer não!!! Foi um assalto a mão armada! Tá pensando o que? Que sou pouca coisa, é? :P
Foi a primeira vez que fui assaltado de verdade (já havia sido roubado uma vez, há uns 5 anos, no calçadão da Praia da Costa, em Vila Velha. Mas foi um bandido mixuruca. Ele roubou apenas 2 passes escolares de ônibus que eu tinha na carteira… hahahahhaha).
Mas esses eram ladrões profissionais… outro nível, claro. Deu até gosto de ser roubado por eles! :P
Era domingo a tarde, por volta de 13h40. Eu estava em Coyoacan (o bairro onde está aquela praça que eu paguei o mico, lembra?) indo ao Museu Frida Kahlo, que há algum tempo queria conhecer. Estava escutando música e caminhando quando, a apenas duas quadras do museu, senti uma pessoa tocando meu braço. Pensei que era alguém pedindo informação, vi a boca da pessoa mexendo (como se falando alguma coisa), mas não escutei, porque tinha os fones no ouvido. Tirei os fones:
- 'Como?', perguntei;
- Pásame todas sus cosas, rápido!
Não havia entendido bem o que ele disse – talvez porque não esperava que fora dizer aquilo –, porém, quando vi a arma em sua mão, entendi rapidinho o que estava acontecendo.
Fiquei extremamente nervoso na hora, afinal foi um susto enorme. E minha única reação foi levar as mãos ao alto, numa reação instintiva ao ver a arma.
E acho que isso me salvou, porque era uma rua em que passavam alguns carros (inclusive um carro da polícia passou a 15 metros, na rua paralela, no exato momento em que fui assaltado). E acho que, com medo que alguém me visse com as mãos pro alto (sinal claro de que alguma coisa acontecia), eles (eram dois) tomaram meu iPod e me fizeram rapidamente abrir a carteira e tomaram algo como 300 pesos (30 dolares, 60 reais, mais ou menos).
Mas encarei isso como se tivesse saído no lucro, porque comigo tinha minha câmera digital, meu celular, meu cartão de crédito e meu cartão do banco… Fora que eles poderiam ter feito alguma agressão física contra mim – o que parece ser bem comum nos crimes de roubo aqui no México (roubo seguido de lesão física).
Tudo foi bem rápido e não durou mais que 30 segundos… Dali, segui pro museu. Lá, ligaram para a polícia e fui até a delegacia fazer o registro da ocorrência (disseram que naquela mesma semana uma outra turista havia sido roubada também… então fui mais pensando em aumentar a segurança da área do que em recuperar meu iPod, que sabia que já devia estar bem longe).
(ah, e eu fui no carro da polícia, na parte de trás – no camburão – porque não havia bancos de passageiros, era só a ‘jaula’, hehehehe).
Mas o mais triste foi ver o quanto a polícia mexicana é parecida (nos aspectos negativos) com a polícia brasileira. Chegando na delegacia, falei com o agente de plantão que queria registrar o roubo que tinha sofrido.
- Mas o que te roubaram? Seu carro, seus cartões de crédito?
(tipo… alow??? Carro???? Hahahaha)
- Não, nada disso. Roubaram meu iPod e 300 pesos.
- Hum… tem certeza de que você quer fazer a denúncia? Porque geralmente fazemos a ocorrência de roubos de valor mais significativo…
- Bem… Roubaram meu iPod, que me custou 250 dólares. E isso para mim é um valor bastante significativo. Portanto, gostaria sim de fazer o registro da ocorrência.
- Eu digo isso porque o valor é relativamente baixo, e não sei se vale a pena fazer isso…
- Olha amigo. Eu sou advogado e sei bem que tenho o direito de registrar o roubo, independente do valor. E sei a importância que isso tem para a questão de aumentar a segurança na área em torno do museu…
(ai, quando disse que era advogado, a pessoa fez uma cara de surporesa e rapidinho mudou o tom da conversa… hehehe… é incrível o valor que eles dão a títulos aqui no México… depois vou escrever sobre isso).
- Tudo bem. Só te aviso que temos muito trabalho hoje e por isso, vai demorar um pouquinho. Pode ser?
- Tudo bem. São apenas 2h30 da tarde, então tenho o dia todo para fazer isso…
E olhei para os lados e não havia nada na delegacia, apenas uma televisão ligada e um policial gordinho cochilando no canto da sala.
Ele me mandou esperar na recepção porque me entregaria um formulário para preencher para registrar a ocorrência. E isso tomou exatos 45 minutos!!! Sim, 45 minutos para me entregar uma folha de papel e uma caneta para preencher um simples formulário!!! Dá pra acreditar?
Depois de mais uns 15, 20 minutos de espera, com o formulário preenchido, me chamou para uma sala, onde digitou alguns documentos e pediu que eu assinasse o B.O.. Depois, pediu que eu aguardasse um outro policial, que tomaria meu depoimento.
E se tudo até aqui parecia esdrúxulo, a coisa fica ainda pior quando chega o tal fulano que tomaria meu depoimento.
Não sei porque, mas ele parecia não acreditar que eu tinha sido roubado. Perguntou se eu tinha certeza de que não havia deixado o iPod cair na rua, se eu tinha certeza de que tinha trazido o iPod e não tinha esquecido em casa (“dããã... sim, esqueci em casa… e a música que estava escutando era captada pela antena parabólica que tenho imbutida na cabeça… :P). Só faltou perguntar se eu tinha certeza de que tinha um iPod!!!!! Absurdo…
O mesmo aconteceu com outro trainee, que teve o laptop roubado. A polícia não acreditou que ele fora roubado. Eles insinuavam que o próprio carinha tinha roubado o laptop – que na verdade era da empresa onde ele trabalhava – e que estava registrando o roubo como feito por um terceiro para manter o laptop com ele… Ridículo…
Saí da delegacia como as 5 da tarde… Encontrei Johanna e o namorado dela (‘tá namorando! Tá namorando!’ :P), que foram me buscar (‘gracias, Johy, por ser tão querida’).
O pior de tudo não foi nem ter sido roubado – que é triste, mas foi apenas uma perda material e ao menos eu estou bem fisicamente… Para mim, o pior foi a sensação ruim que segue ao roubo: um sentimento horrível de desrespeito, de violação, de impotência…

Foi triste, mas estou tentando encarar isso de uma maneira positiva – pensando que poderia ter sido pior, pensando que é parte de minha experiência de viver em uma cidade monstruosamente grande e desigual como México City…
E pensando que agora estou preparado para os próximos assaltos… Afinal, a gente só aprende quando se relaciona com profissionais de verdade, como foi agora… :)
Que venham os próximos assaltos! (hehehhe… piada sem graça… :P)
Marcadores: Ciudad de Mexico, Geral, México, Violência
5 Comentários:
Saí da delegacia como as 5 da tarde???
erao no maximo as 3h da tarde quando encontramos vc, acho que do susto vc trocou os numeros do seu relogio!!!!
ah! e obrigada pela propaganda do namoro... viu
Por Johanna, Às 5:46 PM
3h da tarde? Tá louca, é?
Eu cheguei na delegacia por volta das 2h30 e fiquei, seguramente, por mais ou menos 2horas, entre atendimento e espera...
As 2 e pouco eu te mandei a mensagem falando que eu tinha sido roubado e exatamente as 3h23 (segundo o registro da chamada no meu celular), você me ligou dizendo que tinha encontrado a rua no mapa e que estava a caminho...
Portanto, nada de tentar desacreditar minha história e diminuir meu trauma, viu??? hehehe
Por Filipe Donadello Balbi, Às 6:19 PM
hahahahaha ta bom... 4hs da tarde no maximo
Por Johanna, Às 6:26 PM
4 da tarde, no máximo?? Impossível!!!
Quando você ligou, eu estava na rua, fazendo fotocópias do BO. Depois disso, voltei pra delegacia, assinei um monte de documentos e ainda tive que dar o depoimento para o policial desconfiado!!
Hum... to achando que você quer é acabar com minha carreira de escritor... :P
Inveja é um sentimento foda, né?!?!
hehehehe
Por Filipe Donadello Balbi, Às 6:30 PM
NOssa Filipe, que barra é viver um assalto hein. Mas como vc mesmo disse, pelo menos vc teve um assalto digno...hehehe.
E não é de se espantar que a polícia do México seja diferente do Brasil, afinal são países com vários aspectos em comum.
Mas desejo que vc tenha uma ótima experiência aí no Méjico e espero que sua vida não se transforme em uma novela mexicana...porque aí é muito azar.
Abraços!
Por JoannesJornal, Às 1:20 AM
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